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Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades. Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei. Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter. Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar.
Clarice Lispector (via re-capitu-lar)

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Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.
Tati Bernardi  (via segredosdeumpoeta)

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— Quem era ela?
— Ela?
— Ela. A ela que não sou eu e ainda assim é sua. Que ri das suas piadas sem graça e que te dá beijos no pescoço. Que sente ciúmes quando você pára para conversar com estranhas em ruelas escuras. Que você promete que vai encontrar mais tarde. A ela que tem certeza de você. A ela que não sou eu.
— Minha namorada.
— Sua namorada?
— Minha namorada.
— Então você a ama?
— Ela é simpática. Gosta de mim.
Alícia riu.
— Por que você não me contou?
— Porque eu não queria superar você. Até hoje.
— E você quer me superar? Superar o que? Superar quem? Não tem nada a superar… Aparentemente não fui nada na sua vida e…
— Você consegue interpretar algo meu sem drama, Alícia? Você foi tudo em minha vida. Mas você não confia em mim. Nunca confiou. Se eu saía na rua com uma amiga, era “quem é aquela com quem você acabou de passar a noite com?”. A gente brigava o tempo todo… O tempo todo. E eu nunca fui bom pra você, Alícia. Nunca deixei de te dar motivos para desconfiar de mim. Sempre o conquistador de garotas. Sempre o animador de festas, sempre o requisitado de todos os lugares. Sempre o quase-pai dos bebês alheios. Sempre grosso, sempre desmerecendo todos os seus esforços para permanecer comigo. Sempre chegando bêbado na sua casa depois das três da manhã pedindo para que você deixasse eu te comer. Sei muito bem que fiz você pensar que eu não lembrava disso, mas essa memória me martirizou muito tempo. Me fez lembrar de todas as vezes que você sorriu pra mim quando eu só te dei motivos para chorar. Me fez lembrar todos os abraços de consolo quando eu fazia alguma merda irreparável. De todas as vezes que eu te trai, e você se preocupou mais com a minha saúde do que com você mesma. Você é boa demais pra eu te amar, Alícia. Por mais cheia de defeitos que você seja… Irritante, teimosa, chata, ciumenta, implicona… Você é boa, eu sou ruim. E hoje eu acordei pensando em te superar por isso. (…) Mas parece que todas as vezes que tento ir para longe, você me traz para perto…
Meu amor ainda vai me engolir, Letícia Sales (via quase-perfeita)

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Às vezes dá vontade de desistir de tudo, não sair mais de casa, dormir e dormir. Acabo sempre acordando cedo no dia seguinte, continuando tudo da mesma forma, na verdade não sei bem pra quê, se não estou fazendo a única coisa que realmente me interessa: escrever.
Caio Fernando Abreu - Carta à mãe, 15/8/1979  (via quinzeparameianoite)

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E mais uma vez, eu abri uma página sua de uma rede social e fiquei olhando sua foto. Como eu já sorri olhando praquilo, você não tem idéia. Mas das ultimas vezes, infelizmente não era sorrindo que eu olhava, era com desanimo, com saudade e mágoa misturadas. Porque você tinha que morrer? Porque você tinha que matar tudo que eu sentia? Me obrigar a morrer também. Me obrigar a fingir estar viva pra todo mundo. Me obrigar a não chorar, quando tive vontade de chorar. Vontade de te esmurrar, te dizer que você é um idiota, um babaca, um cretino, um fraco, nunca passou disso. Nunca uma piada sua foi engraçada, nunca você me surpreendeu. Nunca. Mas eu não consigo deixar de pensar em você, a cada dia, a cada ato meu. E quando eu procuro outras pessoas, eu procuro imaginando você me vendo. E tendo ódio de mim. Porque eu quero que sinta ódio. Porque ódio significa alguma coisa, e é melhor que indiferença. Você que já foi tudo, já foi minha esperança, foi meu futuro imaginado, hoje não é nada. Não passa de uma foto numa rede social. Se eu vivo bem sem você, porque eu continuo te olhando? Porque eu sempre volto aqui? Porque eu ouço musicas que falam de tristeza? Por quê? Você não vale isso. Mas eu faço. Eu continuo fazendo. Como uma cerimônia de luto, eu sigo a risca. Mas acontece que você não morreu de verdade, do jeito que eu preferia que morresse. Você está ai vivo, vivendo sua vida, fazendo suas coisas, feliz, tranqüilo, sem sentir minha falta, sem olhar minha foto em rede social. Porque eu não consigo? Porque você não podia ser alguém? Eu esperei muito de você? Não. Eu não esperei nada, eu entendi tudo, eu entendia o que ninguém entenderia. Eu respeitei. Eu fiz como você quis. Tudo. Eu me anulei. Eu deixei de me amar, pra todo meu amor ser só seu. Eu voltei atrás. Eu chorei, eu pedi desculpas, eu agüentei besteiras. Agüentei tudo. Ajuntando do chão, migalhas do seu carinho, migalhas do seu amor. Do seu jeito explosivo e calmo. Um dia me amando como se a terra fosse acabar depois da meia noite. No outro dia um desconhecido me pedindo pra tratá-lo como qualquer um, por favor. Você é meu personagem favorito. O dono de todos os meus textos, de todas as minhas histórias. O dono da curvinha das minhas costas. E eu tenho que dizer isso agora, só pra uma foto numa rede social. Porque você morreu na minha vida. Você pediu demissão, seu cargo era o de presidente, era membro honorário do conselho, tinha tapete vermelho e eu me vestiria até de secretária se te agradasse. E você pediu demissão, sem aviso prévio nem nada. Me diz agora? Como viver bem? Como sobreviver, sem essa ponta de angustia? Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar as vezes, me domina.
Tati Bernardi (via segredosdeumpoeta)

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Um dia eu ainda vou te abraçar e dizer: Caramba, finalmente.
— Clarice Lispector.  (via quinzeparameianoite)

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Um dia eu ainda vou te abraçar e dizer: Caramba, finalmente.
— Clarice Lispector.  (via quinzeparameianoite)

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Quem transforma as mulheres em galinhas são os homens. A culpa é dos próprios homens! Tudo bem, queremos meninas legais, sexys, taradas, bonitas, inteligentes e boazinhas; lógico que possuem um defeito aqui, outro ali, um errinho aqui e acolá, mas enfim, ótimas! Muito fácil falar, pois quando aparece uma assim, de bandeja, a primeira coisa que a gente pensa é: oba me dei bem! Ficamos com elas uma vez, duas. Gostamos delas. Começamos a pensar que essa é a mulher que as nossas mães gostariam de ter como noras; se sair um namoro, vai ser uma relação estável. Você vai buscá-la no colégio, comerão no estacionamento do Mc’Donalds, vocês vão ao cinema, num barzinho, vai ter sexo toda a semana – tudo básico, até virar uma rotina sem graça. Você vai olhar os caras bem vestidos e bem-humorados indo pra noite arrasar com a mulherada e vai morrer de inveja (sem saber que eles estão morrendo de inveja do seu relacionamento, da sua namorada superiormente interessante comparada as meninas da night). Vai sentir falta daqueles perfumes deliciosos que parece que as nossas namoradas nunca usam, vai sentir falta do decote daquelas loiras peitudas que passam logo abaixo do seu nariz, vai sentir falta de dar aquelas cantadas infalíveis na noite, falta de dar umas olhadas pra uma gata, ou de dar aquela dançadinha mais provocativa na pista. Você pensa: acho que não estou pronto pra isso, pra me enclausurar pro resto da vida nesse namoro. E a boa menina se transforma numa “mala”, e aos poucos vai surgindo um nojo dela, uma aversão. Quando você vê o nome dela no celular, não dá vontade de atender. Você pensa: não estou mais afim, não gosto mais dela, já era. Daí, aquela promessa de vida estável vai por “água-a-baixo”; se a menina não se dá conta, a gente começa a ser agressivo, mal-humorado, sem educação e grosso, muito grosso. E a pobre menina pensa: o que eu fiz? Não sou bonita, legal, inteligente, companheira, boa o suficiente? Será que há outra? (geralmente há, porque não nos cansamos de boas conquistas, porque também achamos que outras não vão ficar no nosso pé, ou que serão as outras as noras que sua mãe pediu a Deus. Muito nos enganamos nesta vida…). Será que dá para confiar? Coitada, ela não fez nada, e a culpa é nossa mesmo (temos medo de enfrentar as dificuldades e as privações do mundo de solteiro. Temos medo de nos prendermos de verdade àquela menina boazinha que temos certeza que seria capaz de suportar qualquer coisa para nos fazer bem). Aí, voltamos pra nossa vidinha, que a gente odiava meses atrás. Não vemos a hora de sair e arrasar na noite. Lembra dos decotes? Grande ilusão. Você chega em casa depois da balada, bêbado, fedendo a cigarro, depois de fumar, beber e fazer de tudo! O ouvido está zunindo, você está sozinho e fica tentando descobrir porque você não está satisfeito (porque mesmo estando com outra no lugar da boazinha, sempre há uma questão: será que troquei o certo pelo duvidoso? Como estará a menina boazinha sem que eu esteja por perto pra tomar conta? Coisas realmente verdadeiras dentro desta felicidade momentânea que vivemos agora). Ah! E pensa: de repente foi porque a menina da night, linda, gostosa, misteriosa, que ficou contigo no começo pareceu quente, você passou a mão em tudo, rolou algo mais, mas você no interior ainda está insatisfeito sem saber direito qual a razão (bom, você diz: vai ver eu não estava muito inspirado, a cerveja não era bem gelada, a galera não estava muito na pilha, foi uma situação ocasional; sei lá, mas tenta arranjar um motivo para a tal insatisfação interior). Ela não te completa e uma parte fica vaga… não tem sentimento! Você não conhecia. Ou às vezes você até conhecia: namorou, voltou com ela! Mas não tem mais graça. Ela disse que ia ao banheiro e não voltou mais, trocou seu nome três vezes, ficou conversando com aquele amigo dela um tempão, você descobre sua fama, e que aquele “relacionamento” não te leva a nada. Ela gosta de você, mais já não faz sentido. Frustração! Daí, por mais que você não queira, você pensa, de algum modo, na sua menina boazinha que você deixou pra trás (mas não admitindo muito, querendo fugir do tal pensamento, achando que é apenas um momento, que vai logo passar). Aí, a gente volta pra nossa vidinha, que a gente odiava até
semanas atrás (os amigos são os mais novos possíveis, a gente tenta se afastar da monótona vida que estávamos levando antes. E essa nova “mina”, e essa nova galera trata a gente como se fossemos maiorais, e a gente faz tudo pra estar perto dessa nova vida tentando desesperadamente apagar a vida anterior. Aliás, neste ponto, a gente tenta realmente apagar tudo que nos prende à menina boazinha, até falar com ela é uma coisa intolerável. “Primeiro passo do arrependimento”). A gente não vê a hora de sair, esquecer e arrasar na noite com a galera. Enquanto isso, a boa menina, chateada, lesada, custa a entender o que ela fez pra ter te afastado dela… Daí, essa dúvida vira angústia, ressentimento, que vira raiva. “O que é que eu tenho de errado?”, ela pergunta para si, sendo que homem não falta pra ela. Aí, a menina manda tudo à puta que pariu: não quer mais saber de nada, só de aproveitar a vida, beijando muito cara, e esquecer “ele”. Resolve não se envolver mais, pra não sair lesada, chutada, humilhada ou chateada. Muito bem, acabamos de criar uma monstra, uma terrorista, uma mulher-bomba que fará você implorar por sua simples vidinha. Um predador! Um demônio usurpador de pobres almas machistas que acreditam ser espertos (por mais inteligente que ela seja, é inevitável: mecanismo de defesa. Ninguém vive decepções amorosas mais de uma vez na vida). O tempo passa e a gente continua na mesma. Volta a reclamar da vida e das mulheres. Elas só querem as coisas com homens cachorros e não estão nem aí pra nós. Atenção: elas são assim por culpa nossa. A mulher vulcão da festa de hoje era a boa menina de outro homem ontem… e assim sucessivamente. Provavelmente, essa nossa ex-boa menina deve estar enlouquecendo a cabeça de outro homem por aí; e eu a perdi para sempre. Ela virou uma mulher enlouquecedora e eu a encontrei na balada outro dia: ela estava com um super decote, um perfume delicioso, sorrindo e arrasando com vários caras e ela nem olhou para mim.
— Desconhecido.  (via quinzeparameianoite)

(via quinzeparameianoite)

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Te amei todos os dias e te amarei todos os segundos, te cuidei de todos os males e te cuidarei de todos que tentam te atingir, te beijei em todos meus sonhos e te beijarei de segunda a segunda, passado, presente, e um breve futuro se misturando, nossa história sem fim, sem um passado que não está sendo levado para o presente e que não será feito no futuro. Confuso isso, confuso como tudo aconteceu, aliás, a vida é confusa, mas que seja a nossa confusão.
— Last Kiss (via ultimo-beijo)

(via ultimo-beijo)

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(via dreamyspirit)

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Odeio despedidas. Odeio dar tchau. Odeio chorar. Mas também odeio sofrer. Quero te dizer que esse mundo é injusto demais. Nele vivem pessoas cretinas demais. Já que estou falando no que é demais: fui honesta demais. Talvez esse tenha sido meu maior erro. Mas não sei ser de outra forma.
Clarissa Corrêa.  (via verborragias)

(via desapegar-se)

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